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sábado, 17 de julho de 2010

Copos d'água de tempestades

É isso que está no meu perfil, e confesso que isso é muito mais o que eu gosstaria de ser do que o que eu tenho a capacidade de ser em alguns momentos! Mas mais uma vez a vida me proporcionou uma situação complicada, dizendo: Vire-se! Um grande amor me deu um pé na bunda. Tudo bem, não era o primeiro grande amor, nem o primeiro pé na bunda. Isso se ele não fosse um grande grande amor, daqueles que a gente acha que foi modelado pra gente, do jeitinho que a gente pedia, quando acreditava em príncipe encantado. Passou e eu tive que lidar com isso. Minha psicóloga disse que lidei bem, diga-se de passagem, mas sei que no fundo tive que trabalhar com muita coisa dentro de mim... com minha desorganização financeira, minha desorganização em casa, com minha carência e com minha falta de colo. E a decisão para lidar com isso foi não ficar em casa, trabalhar e viajar, na seguinte ordem: não ficar em casa, trabalhar e viajar! Comecei saindo bastante, com novos amigos e aquels que eu não via há tempos e descobri uma incrível capacidade de conhecer pessoas, que na verdade eu já conhecia, mas tinha abandonado dentro de mim. Depois, ao trabalho, descobri minha incrível capacidade de ser desorganizada, e meu deus, isso de fato já existia dentro de mim. E finalmente, à viagem, a melhor decisão que pude tomar.  Resolvi fazer uma viagem menos perigosa que a planejada inicialmente e fui parar em Buenos Aires. O que a princípio era para ser uma viagem tranquila para descansar, fotografar e respirar ideias, se tronou tudo isso e mais um pouco: treinei muito mais do que eu imaginava o meu inglês e virei até intérprete, conheci pessoas do Brasil e do mundo inteiro; e modifiquei totalmente minha forma de pensar. Inesquecível em todos os aspectos: uma verdadeira tempestade para encher quantos copos eu precisar!

domingo, 13 de junho de 2010

É a exatidão que tentamos conferir à nossa vida que a torna inexata. Ainda bem!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Pergunta: se a poesia é o presente, qual é o futuro?

NO CORPO - Ferreira Gullar

De que vale tentar reconstruir com palavras
O que o verão levou
Entre nuvens e risos
Junto com o jornal velho pelos ares?

O sonho na boca, o incêndio na cama,
o apelo da noite
Agora são apenas esta
contração (este clarão)
do maxilar dentro do rosto.
A poesia é o presente.

Minhas tristezas não são exatas

Esse negócio de exatidão é complicado, ainda mais pra alguém que escreve.

Eu não sei exatamente o que sinto em relação à exatidão das coisas.

terça-feira, 8 de junho de 2010

A semente de melancia

Era tão simples ser uma semente de melancia. Seu único trabalho era ser igual às outras. Estar ali - indiferentemente -, porque não faz diferença comer ou não uma semente de melancia: ninguém tem o trabalho de mastigar, de morder, nem de engolir. Ela só escorrega e vai goela abaixo. Vive numa grande bola verde e não tem nem o trabalho de ser separada. Seus comedores, quando muito preguiçosos, nem a isso se dão ao trabalho. Elas servem apenas para fazerem nascer mais delas. Ah! Mas elas também devem saber plantar ilusões: a de que um dia, na barriga de alguém, elas possam germinar.

Pena que o mundo é azul, e não verde.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Madrinha de casamento por acaso

Estava eu indo de uma escola a outra para dar aulas, em plen'uma segunda-feira. Como não tenho carro, faço o trajeto a pé mesmo. São 15 minutos. No meio do caminho tem um cartório. Tem um cartório no meio do caminho. Na verdade não tinha reparado que havia um cartório por ali até ouvir alguém me chamar. Era uma amiga que havia trabalhado comigo ano passado. Um amor de pessoa, dessas que vc quer chamar pra sempre de amiga. Ela estava esperando o namorado dela que nem chegou a ser noivo, mas daqui a pouco seria marido. Ela ia casar em alguns minutos, para poder ir morar em outro país para trabalhar. Falando que estavam em lua-de-mel é muito mais fácil não serem barrados. Ela is casar e precisava de uma testemunha. Estavam com tanta pressa que iriam pegar qualquer um do cartório mesmo, mas já que eu estava ali podia ser madrinha de casamento. Em dez minutos estava o futuro marido e sua testemunha e em mais 10 minutos, estávamos assinando tudo. Foram dez minutos de "cerimônia". E em mais 10 minutos eu estava dando aula novamente. Numa segunda-feira às 4h da tarde. Felicidades, casal*! Logo, vou dar uma passeadinha pela Nova Zelândia. ;)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

um dos melhores - senão o melhor - shows que já fui

Bienal - Zeca Baleiro

Desmaterializando a obra de arte do fim do milênio
Faço um quadro com moléculas de hidrogênio
Fios de pentelho de um velho armênio
Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta
Teu conceito parece, à primeira vista,
Um barrococó figurativo neo-expressionista
Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista
Ao cabo da revalorização da natureza morta
Minha mãe certa vez disse-me um dia,
Vendo minha obra exposta na galeria,
"Meu filho, isso é mais estranho que o cu da gia
E muito mais feio que um hipopótamo insone"
Pra entender um trabalho tão moderno
É preciso ler o segundo caderno,
Calcular o produto bruto interno,
Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone,
Rodopiando na fúria do ciclone,
Reinvento o céu e o inferno
Minha mãe não entendeu o subtexto
Da arte desmaterializada no presente contexto
Reciclando o lixo lá do cesto
Chego a um resultado estético bacana
Com a graça de Deus e Basquiá
Nova York, me espere que eu vou já
Picharei com dendê de vatapá
Uma psicodélica baiana
Misturarei anáguas de viúva
Com tampinhas de pepsi e fanta uva
Um penico com água da última chuva,
Ampolas de injeção de penicilina
Desmaterializando a matéria
Com a arte pulsando na artéria
Boto fogo no gelo da Sibéria
Faço até cair neve em Teresina
Com o clarão do raio da siribrina
Desintegro o poder da bactéria
Com o clarão do raio da siribrina
Desintegro o poder da bactéria


uma das melhores do Zeca ;)