Viajar traz sempre matéria nova, dura e incandescente,
que precisa ser ordenada pelas palavras a fim de que, ao se escapar da
vida no momento em que é vivida, não se escape pelo esquecimento à
essência da biografia. Lembrar é preciso.
Silviano Santiago
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Fotografo seus deslizes, e me derreto por suas flores. Só as cicatrizes é que não me deixam morrer de amores.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Since 1988
Olho pra vida como ela me olha: torto. Esse negócio de ser efusivo demais, prestativo demais, legal demais me assusta um pouco. Afinal quando a esmola é demais, o diabo olha diferente. Vezes sim, vezes não, considero-me também diabo. Palavra feia e redundantemente diabólica. E diabo não passa despercebido, sofre por não ser anjo. Desconfio! Quero colo! Já fugi de casa!
Olho torto pra quem me vê com os olhos da sociedade. Preferiria me vestir como em sonhos - à la Dalí.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
O Relógio - Cassiano Ricardo
Diante de coisa tão doida
Conservemo-nos serenos
Cada minuto da vida
Nunca é mais, é sempre menos
Ser é apenas uma face
Do não ser, e não do ser
Desde o instante em que se nasce
Já se começa a morrer.
Conservemo-nos serenos
Cada minuto da vida
Nunca é mais, é sempre menos
Ser é apenas uma face
Do não ser, e não do ser
Desde o instante em que se nasce
Já se começa a morrer.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
A VIAGEM
Estou ansiosíssima. O motivo? Amanhã saio (sem celular e sem contato) para uma viagem na companhia de mais duas pessoas rumo ao Deserto do Atacama. Detalhe: de carro. A apreensão? O motor é 1.0. Vai ser uma aventura. Mandarei notícias por aqui e assim que voltar, criarei um blog pra isso.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
CONTEÚDO LIVRE: Carta a um jovem escritor - LEYLA PERRONE-MOISÉS
CONTEÚDO LIVRE: Carta a um jovem escritor - LEYLA PERRONE-MOISÉS: "Prezadíssimo(a) candidato(a) a escritor(a), Você me pergunta se seu texto é bom. Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pess..."
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Guerra de aviõezinhos
Atiraram bolinha no Serra-há, mas o Serra-há não morreu-reu-reu.
Dona Dilma-ma admirou-se-se do escândalÔ, do escândalÔ que a globo fez! Há-há!
Dona Dilma-ma admirou-se-se do escândalÔ, do escândalÔ que a globo fez! Há-há!
Esta paródia não reflete qualquer ideologia política ou ideológica, apenas a vontade intrínseca a uma apaixonada pela língua de brincar com as palavras e as possibilidades de diálogos entre os textos. Ou seja: as eleições estão decididas, interprete como quiser!
Copa do Mundo - Argentina
Empolgada com a seletiva de O viajante, da qual estou participando desde meados de setembro, resolvi postar o texto produzido no curso de travel-writer em Porto Alegre e reformulado para a seleção (depois de olhadinha do @zizoviajante). É sempre bom que outras pessoas leiam nossos textos - arrogante aquele que acha que já chegou no seu melhor! Agora digam vocês o que acharam...
Um fora do ex-namorado e vontade de fugir de tudo foram os ingredientes suficientes para transformar o roteiro original para Peru e Bolívia, planejado inicialmente para mais de uma pessoa, em outra aventura. PRAZO: 1 mês. DESTINO: qualquer lugar urbano que me propiciasse uma solidão acompanhada e a maior quantidade possível de arte por metro quadrado – além de vários roteiros para serem feitos a pé. ESCOLHA: Buenos Aires – a cidade mais europeia da América Latina.
Era hora de decidir a data e meu único período de férias compreendia, justamente, a época da última Copa do mundo. No pré-viagem, mesmo não sendo uma fã tresloucada de futebol, torcia duplamente: sabia que queria ver Argentina e Brasil competindo pelo título. Deixei o meu patriotismo de lado e confesso que torcia por uma classificação em ordem alfabética: a final clássica era a mais esperada vontade, mas mesmo sem o Brasil, seria divertido ver o 2º país mais fanático por futebol em dia de decisão. Marquei então as passagens em datas estratégicas. Sairia do Brasil um dia depois de uma possível classificação contra a Holanda e sairia de lá um dia depois de uma possível final com a presença do time do Maradona.
Bem, compradas as passagens e decidido o albergue, chegou a hora de anunciar para a família e amigos a mudança de roteiro. “Sozinha?”; “Argentina, em final de Copa do Mundo? Quer apanhar?”. Não preciso dizer que fui chamada de louca, excepcionalmente por um tio viajante e apaixonado pela Argentina. Foi ele quem me deixou no aeroporto de Puerto Iguazu, já feliz com a eliminatória do time do Dunga. Coincidentemente, o atraso do avião permitiu que eu assistisse ao lado de argentinos parte do jogo contra a Alemanha. Não preciso dizer que, naquele dia, torci fervorosamente para aquele país em final de Copa. O avião saiu quando os maradonenses já perdiam de 2 a 0 e eu estava confiante numa possível virada. Jogos de futebol à parte, nada foi mais emocionante do que partir me sentindo diante das Cataratas e pequenininha aterrissando na cidade ¨porteña¨.
A par da simpatia dos taxistas e da facilidade que era pegar um táxi em BA, estava pronta para treinar a minha habilidade comunicativa. A surpresa veio quando nem o portunhol serviu para explicar onde eu queria chegar. O taxista, de maneira nada educada, pediu para que eu falasse português que ele faria um esforço para entender. Logo percebi, pelo rádio, o motivo de sua revolta. A Argentina havia sido eliminada: 4 a 0 para a Alemanha. Na hora, não perdi a oportunidade de retribuir a grosseria o taxista em forma de brincadeira: “Como están los argentinos, muy abatidos?”. A resposta veio irônica e como eu merecia: “Estamos como los brasileños...”.
Os dias que se seguiram propiciaram que eu vivenciasse a tristeza desse povo fanático por futebol. Enfim, não vi o clássico Brasil x Argentina, não presenciei o país vizinho na final e muito menos vi o Maradona pelado em volta do Obelisco, como prometido em rede mundial. Ao contrário disso, terminei a viagem presenciando gays comemorando que poderiam casar, um Borges na bagagem e tendo assistido à final da Copa do Mundo à frente de um pub holandês com lotação esgotada. Expectativas quebradas à parte, o sarrinho do futebol argentino inerente a qualquer brasileiro no início da viagem foi devolvido com a elegância própria do argentino: eu deixava o país visualizando a mesma quantidade de bandeiras pelas ruas de quando o país ainda estava na Copa e uma recepção calorosa ao técnico derrotado. Qualquer “diferença” com o país vizinho não é mera coincidência.
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