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sábado, 16 de outubro de 2010

Vida nova, primeiro passo

Se me perguntassem o que eu queria ser quando crescesse, aos meus 9 anos, certamente responderia - sem hesitar - que a vontade de construir casas era a maior de todas. Um pouco depois, cheguei a pensar na possibilidade de fazer buracos por aí, escavando fósseis e redescobrindo coisas que ninguém ainda havia descoberto. Passei pela vontade de ser estilista e até diplomata.
Hoje, graduada em Letras, exerço a função de professora - estou professora, como ouvi por aí - e construo e descubro outras coisas. Nessas construções e descobertas, descobri: o verbo estar é temporário e milhares de possibilidades se abrem quando você se procura: escrever pode se tornar uma profissão! Principalmente quando você gosta...

Isso foi mais em tom de desabafo do que de qualquer outra coisa, portanto, fecho com palavras de alguém que tem me acompanhado nesse momento de transição - Eddie Vedder:
"[...] On empty pocket's wealth
Love will create a sense of wealth
Why contain yourself like any other book on a shelf? [...]"

E eu pergunto: Why?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Com sua licença, Drummond:

Poema de uma face

Uma estrofe, um verso: Quando nasci, nenhum anjo disse nada.

sábado, 17 de julho de 2010

Copos d'água de tempestades

É isso que está no meu perfil, e confesso que isso é muito mais o que eu gosstaria de ser do que o que eu tenho a capacidade de ser em alguns momentos! Mas mais uma vez a vida me proporcionou uma situação complicada, dizendo: Vire-se! Um grande amor me deu um pé na bunda. Tudo bem, não era o primeiro grande amor, nem o primeiro pé na bunda. Isso se ele não fosse um grande grande amor, daqueles que a gente acha que foi modelado pra gente, do jeitinho que a gente pedia, quando acreditava em príncipe encantado. Passou e eu tive que lidar com isso. Minha psicóloga disse que lidei bem, diga-se de passagem, mas sei que no fundo tive que trabalhar com muita coisa dentro de mim... com minha desorganização financeira, minha desorganização em casa, com minha carência e com minha falta de colo. E a decisão para lidar com isso foi não ficar em casa, trabalhar e viajar, na seguinte ordem: não ficar em casa, trabalhar e viajar! Comecei saindo bastante, com novos amigos e aquels que eu não via há tempos e descobri uma incrível capacidade de conhecer pessoas, que na verdade eu já conhecia, mas tinha abandonado dentro de mim. Depois, ao trabalho, descobri minha incrível capacidade de ser desorganizada, e meu deus, isso de fato já existia dentro de mim. E finalmente, à viagem, a melhor decisão que pude tomar.  Resolvi fazer uma viagem menos perigosa que a planejada inicialmente e fui parar em Buenos Aires. O que a princípio era para ser uma viagem tranquila para descansar, fotografar e respirar ideias, se tronou tudo isso e mais um pouco: treinei muito mais do que eu imaginava o meu inglês e virei até intérprete, conheci pessoas do Brasil e do mundo inteiro; e modifiquei totalmente minha forma de pensar. Inesquecível em todos os aspectos: uma verdadeira tempestade para encher quantos copos eu precisar!

domingo, 13 de junho de 2010

É a exatidão que tentamos conferir à nossa vida que a torna inexata. Ainda bem!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Pergunta: se a poesia é o presente, qual é o futuro?

NO CORPO - Ferreira Gullar

De que vale tentar reconstruir com palavras
O que o verão levou
Entre nuvens e risos
Junto com o jornal velho pelos ares?

O sonho na boca, o incêndio na cama,
o apelo da noite
Agora são apenas esta
contração (este clarão)
do maxilar dentro do rosto.
A poesia é o presente.

Minhas tristezas não são exatas

Esse negócio de exatidão é complicado, ainda mais pra alguém que escreve.

Eu não sei exatamente o que sinto em relação à exatidão das coisas.

terça-feira, 8 de junho de 2010

A semente de melancia

Era tão simples ser uma semente de melancia. Seu único trabalho era ser igual às outras. Estar ali - indiferentemente -, porque não faz diferença comer ou não uma semente de melancia: ninguém tem o trabalho de mastigar, de morder, nem de engolir. Ela só escorrega e vai goela abaixo. Vive numa grande bola verde e não tem nem o trabalho de ser separada. Seus comedores, quando muito preguiçosos, nem a isso se dão ao trabalho. Elas servem apenas para fazerem nascer mais delas. Ah! Mas elas também devem saber plantar ilusões: a de que um dia, na barriga de alguém, elas possam germinar.

Pena que o mundo é azul, e não verde.